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À medida que caminho ...

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À medida que caminho, vou-me deixando impregnar pela maresia sempre bela, sempre inebriante, para quem, como eu, nasceu à beira-mar. Avanço ao longo do  passeio marítimo e diviso, lá bem ao longe, magnífico, fálico e imponente o farol de Leça. Quantos infortúnios não terá evitado ao longo do tempo? Quantos navegantes não terão prosseguido, em segurança, a sua rota, graças à luz luminosa que rasgava, à noite, o horizonte escuro como breu?

Embrenhado nesta incursão pelo passado, passo por ele e sigo em frente. Um pouco mais além, sobre uma arriba, encontra-se a Casa de Chá, com a assinatura de Siza Vieira. O edifício casa-se com a paisagem na perfeição. Bela obra. Nas suas imediações, num parque sobranceiro ao mar, sei de  amantes que ali vêm, ao entardecer, extasiar-se com o imenso azul e aplacar a paixão.

Um pouco mais adiante, começam a recortar o céu umas formas esguias, metálicas. Por vezes, irrompem dos topos labaredas que logo se perdem no cinzento da tarde. É a refinaria. Um atentado, dirão uns, críticos. Um mal necessário, dirão outros. Confesso que estou mais próximo dos primeiros. Interrogo-me até sobre o que diria, a este propósito, Álvaro de Campos, ao passear neste tempo na marginal de Leça. Será que a beleza metálica desta «catedral da modernidade» o levaria a escrever uma ode ao progresso?

JBóia, Novembro 2006

Posted on Segunda-feira, Novembro 13, 2006 at 11:42AM by Registered CommenterJosé Bóia] | CommentsPost a Comment

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