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Time - The boulevard of broken dreams?

 

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Durante a minha juventude tive sempre uma pretensão compulsiva quando vivia momentos de grande felicidade: estancar o tempo, aprisioná-lo, domá-lo, na esperança vã de eternizar o momento. Nessa altura, conjurava para que os ponteiros do relógio se detivessem nesse seu tiquetaque inexorável e implacável. Nessa dimensão outra, liberta do tempo, julgava poder fruir desses momentos de felicidade plena ad eternum.

Cedo me apercebi de quão vão era esse meu desígnio. O tempo, no seu fluir contínuo, ria-se sarcástico de tal pretensão e, pleno de soberba e indiferença, acabava sempre por me trocar as voltas e jogar comigo o jogo do gato e do rato. Era com desespero impotente que sentia o tempo esgotar-se, como a areia fina da praia a escapar-se-me por entre os dedos numa tarde agreste de vendaval. Passados uns tempos, a experiência reeditava-se. Como um sonâmbulo, cego e sem memória, acabava sempre por reviver tudo uma e outra vez, incapaz de tirar a necessária lição de vida.

Já adulto, algumas vezes estive tentado a incorrer nessa humana mas inútil tentação. Mas sempre me refreei. As coisas têm o seu tempo, o seu ciclo, e querer moldá-las ao tamanho do nosso desejo tem mais que ver com um anseio mais ou menos pueril do que com a vida vivida. Muito tarde na vida, acabei por concluir que «parar o relógio» é mais da ordem da razão do que do coração e pressupõe uma intenção deliberada de canalizar o fluir da existência num dado sentido, e não noutro, uma escolha, um atitude consciente de prolongar o momento com os pés assentes na terra – ia a dizer no tempo -, partindo por vezes a cara contra o vento.

Mas deve haver uma saída, porque onde «there's a will, there's a way». Ingénuo ou não, este suave engano de agrilhoar o tempo, inebriante e arrebatador, pode ser também um começo, um ponto de partida. E porque não cavalgar o momento e, animado dessa «bebedeira» de sonho, tentar sair à demanda da vida?

Não sei se este arrazoado fez algum sentido para vós. Por mim, prometo voltar a ele amanhã para ver se afinal isto não passou de um exercício de escrita oco, frívolo e estéril, na ausência de um tema mais mobilizador.

JB, Dezembro 2006

PS. Depois de ter escrito este texto descobri que no antigo Egipto houve um faraó, Malol,  que nomeou um comité de sábios para tentar «parar» o tempo. A sua intenção era protelar a travessia do rio, numa altura em que o barqueiro o aguardava já para o levar à presença do Deus dos deuses. Não há registos dos resultados a que chegaram os sábios, nem tão pouco da data em que a sentença definitiva de Anúbis sobre Malol foi emitida. Sabe-se apenas que este faraó  acabou no paraíso, ao lado de Osíris, de acordo com  frescos existentes no museu de Alexandria.

 

Posted on Quinta-feira, Dezembro 14, 2006 at 06:57PM by Registered CommenterJosé Bóia] | Comments2 Comments

Reader Comments (2)

Verdade: «there's a will, there's a way» mas dentro do possível. Este é um texto de releituras, sem dúvida...vou voltando aqui vez em quando, então. (Este finalzinho acrescentado depois da primeira leitura mostra que um certo meu amigo está de volta!)
Dezembro 16, 2006 | Unregistered Commenters.
TEORIA DO UNIVERSO FLUXONÁRIO ESTRUTURANTE sustente que o universo iniciou de fora para dentro num processo de fluxos-
Autor Ancelmo Luiz Graceli.

ver no google.
Julho 3, 2008 | Unregistered Commenterancelmo luiz graceli

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