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Memórias de um outro mar...

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Enquanto arrumava alguns papéis, um destes dias, tropecei literalmente  neste poema, escrito várias décadas atrás. Estava no meio de um livro de Harold Robbins, Dream Merchants,  esquecido algures entre a tralha que me acompanhou ao longo da vida. Não sei a quem foi dedicado, mas isso é irrelevante. Terá  seguramente trinta anos, ou talvez mais, e evoca os meus tempos de menino e moço pelo areal da praia da Figueira. A versão é praticamente a original, com um retoque aqui e ali. Espero que gostem e que vos sirva de inspiração para este novo ano acabado de entrar:

Da minha alma vejo o mar
Calmo,
Tranquilo,
Inebriante…
Não me canso nunca de olhá-lo.
Com o espírito aplacado
E sequioso de viver
Quero lançar-me,
Contigo,                                                                                                                                                                                                                Sedento,
Num voo de condor
Sobre esse azul imenso.

 

Um dia
Vaguearemos,
Entrelaçados,
Ao longo da praia da vida,
E, quando o sol,
Soberbo,
Começar a pintar,
Com raios de fogo
O horizonte,
Na areia ainda quente,
Dos despojos do dia,
Como  um só corpo,
Repousaremos
E deixar-nos-emos envolver,
Serenamente,
Pelo manto cálido da noite.

PS.  Decidi retirar o original do meio do romance do Harold Robbins, que tanto me entusiasmou na minha adolescência,  e depositei-o, em muito melhor companhia, no interior de um dos meus livros favoritos - Tod in Venedig, de Thomas Mann. Acho que procedi acertadamente. Um dia destes retornarei ao poema, com o romance de Mann no regaço. Fecharei então os olhos e, embalado por uma das sinfonias de Mahler,  tentarei confirmar se ainda continuo a ver aquele mar...

 

Posted on Domingo, Dezembro 31, 2006 at 05:30PM by Registered CommenterJosé Bóia] | Comments3 Comments

Reader Comments (3)

Nem sei o que dizer... talvez apenas que foi (para um mim) uma bela maneira de começar o ano.

Quanto a ainda veres o mar... tenho a certeza que sim. Quem escreve e fotografa dessa maneira há-de sempre ver o mar, nem que esteja a milhares de kms de distância.

Um beijinho e um bom excelente 2007.

CR
Janeiro 1, 2007 | Unregistered CommenterCR
Duas mudanças: uma, a visível, no subtítulo do blog. Gostei muito porque penso assim também: escrever é voar, andar por aí, navegar, o que seja... Quanto ao poema, ainda agora perfeito. Beijinho e um 2007 de muitas imagens e palavras!
Janeiro 1, 2007 | Unregistered Commenters.
Só agora reparei no novo subtítulo do blog graças ao comment anterior. A escrita liberta pois, mesmo que ninguém nos leia...

Quanto ao poema e à história que contas, só prova que na vida, afinal, nada se perde. Vamos reconstruindo os dias, dia a dia...
Janeiro 10, 2007 | Unregistered CommenterAna

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