Divagações / Digressions
Luz e sombras
Por vezes, amigos meus questionam-me e demonstram preocupação porque entendem que me exponho desnecessariamente nos meus escritos no blogue. Em vão tento fazer ver-lhes que «o poeta é um fingidor» e que este espaço cibernético é um cantinho onde dou largas à minha liberdade de expressão. Quem vir nos meus escritos um cunho exclusivamente biográfico está a incorrer num erro. Não nego que isso não esteja lá mas há sobretudo liberdade criativa.
Preocupa-me muito mais a relevância e qualidade daquilo que escrevo. Serei capaz de te «tocar» leitor, de provocar uma emoção? Dizia Boris Vian que os poetas escrevem sobre a influência de um «golpe», de uma emoção, mas que havia igualmente pessoas a quem esses «golpes» não levavam a lado algum. Não sei se é esse o meu caso. Tu dirás...
Mas voltando ainda à exposição. Não nego que ela exista, de facto, em alguns dos meus escritos. Mas antes isso, a esconder, a «maquilhar», a minha interioridade, e a poderem dizer de mim que, à semelhança de Orion, vagueio pelas sombras dos caminhos e não existo. Tenho dito!
JB, Jan 2007

Reader Comments (2)
Hoje sou eu, uma completa ignorante na poesia, que te dedico um poema. Este teu escrito lembro-mo e acho que te cai como uma luva... Espero que gostes!!
JOSÉ O HOMEM DOS SONHOS
Que nome dar ao poeta
esse ser dos espantos medonhos?
um só encontro próprio e justo:
o de josé o homem dos sonhos
Eu canto os pássaros e as árvores
mas uns e outros nos versos ponho-os
quem é que canta sem condição?
é josé o homem dos sonhos
Deus põe o homem dispõe
e aquele que ao longo da vereda vem
homem sem pai e sem mãe
homem a quem a própria dor não dói
bíblico no nome e a comer medronhos
só pode ser josé o homem dos sonhos.
RUY BELO
Um beijinho,
CR