Divagações / Digressions
Labirintos...

Por ironia do destino e ingratidão do Rei de Creta, Dédalo foi encerrado no labirinto que com tanto labor construíra. Destinado a confinar o Minotauro, acabou por se tornar na prisão do seu inventor. A crueldade do Rei Minos não tinha limites, a ponto de confinar ao labirinto o próprio filho de Dédalo, Ícaro. Minos, num gesto de comiseração, coloca Dédalo num quarto com uma vista soberba sobre a ilha de Creta.
Da sua prisão dourada Dédalo reflecte na melhor maneira de fugir. Os acessos estavam fora de questão, pois estariam fortemente guardados pelos soldados do rei. Talvez motivado pelo voo dos pássaros, concebe umas asas para se libertar do labirinto.
Antes de mergulhar no vazio avisa Ícaro para não ser imprudente e se aproximar do sol. É que as penas das asas corriam o risco de se desagregar. Talvez motivado pelo deslumbramento juvenil ou ainda numa ânsia de infinito, Ícaro decide ignorar o aviso do pai. Insensato, aproxima-se do sol. Sente o calor do astro rei a percorrer-lhe o corpo e prossegue na sua marcha imprudente rumo aos céus. No zénite da bebedeira narcísica uma mão invisível fá-lo estacar, para depois se precipitar irremediavelmente no abismo.
Com um aperto no coração, Dédalo segue impotente o voo para a morte de Ícaro.
Várias vezes penso nas possíveis leituras desta história e, de cada vez, descubro novos significados. Basta-me apenas descentrar da personagem de Ícaro. E uma das ideias que me fica a martelar a cabeça é sempre a da necessidade da desconstrução dos labirintos e de dar um outro fim à(s) história(s)...
JB, Fevereiro de 2007

Reader Comments (1)
Beijos,
Roca